segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Perdoe-me...

por não cumprir o prometido; é porque eu estive em uma duas semanas cheias de provas complicadas. Mas bem, gostaram do novo visual do blog? Estou aprendendo html, daí estou dando umas "brincadas aqui hehe.
           Mas bem, vamos ao que interessa, hoje irei postar uma redação que fiz no ano passado, a qual chamei de "o espelho". Como sempre, eu sai do tema, mas a professora disse que estava muito bonito. Espero que gostem.

O espelho

           Num quarto escuro levanto-me, minhas costas estalam, fazia dois dias que não levantava. Acendo a luz, procuro minha vodka, bebo, vou até o espelho, olho-me. Corpo de 18, alma de 68, sou um vazio, num corpo marcado pela vida refletida no espelho.
           Na minha mente, apenas o sonho perdido; da minha terra precisei fugir, fugir da miséria, da seca, da morte. Sonho todos os dias com o meu sertão quando chovia: cheiro de terra molhada, árvores com frutos, sorrisos. Entretanto depois vinha a tristeza, o sol forte, a evaporação acelerada, as pessoas se esvaindo.
           Não agüentava mais, precisava sair de lá, parecia que minha alma havia saído de meu corpo, minha mente, minha vida, não quero que outros sintam o que senti. Fui embora com amigos, os quais morreram pelo caminho; fiquei sozinho na cidade grande como um dragão em seu ocaso, porém ao contrário deste, não posso virar guardião, apenas tornei-me um ser sozinho, aluguei este quarto e daqui nunca mais sai.
           No meu peito, camisas velhas, rasgadas, amassadas e um coração destruído. Conheci muitas, amei diversas, mas todas retribuíam-me com um simples e amargo desprezo de alguém que achou outro melhor. Além disso há as cicatrizes da viagem pela sobrevivência, as árvores secas batendo em meu peito; uma marca que nunca apagará em meu corpo e da minha memória.
           No meu pé, o desprezo do mundo, o capitalismo exacerbado, a marca da foice para cortar cana, a tristeza de uma terra esquecida e condenada pela seca.
           Quem sou eu? Eu sou a encarnação do medo de estar sozinho, da escuridão que todos temem, do desprezo, da angústia. Chame-me como quiser, apenas não me siga, me deixe sozinho e leve essa imagem do espelho consigo, não quero ver-me por dentro, estou podre. Apague a luz também, quero sonhar, quero ser feliz, ao menos nos meus sonhos.

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